domingo, 24 de julho de 2011

CARTA A UMA IRMÃ QUE PARTIU


Dedico-te este texto, querida amiga.
Beijo



"Carta a uma irmã que partiu..."

Seguro a madrugada nos olhos, inchados. Viajo no tempo com asas de condor, já que a minha cabeça passou a ser um carrossel onde passam imagens tuas a uma velocidade estonteante. É isso a que chamam saudade?
Dói tanto, tanto, tanto minha irmã. Apenas isso é certo.
Tenho por momentos uma enorme necessidade de descansar a mente, mas não consigo. Começo a medir o tempo ao contrário, começando pelas horas para que os segundos estiquem as recordações que tenho de ti e passem a ter maior durabilidade. É impressionante como nestes momentos nos vem à memória pequenas coisas que julgávamos não termos dado a mínima importância. Lembras-te daquele dia na praia em que o teu sorriso aberto correu atrás do vento só para anunciar a tua presença?
As conchas do mar que inspiraram esse sorriso eufórico, pareciam incrédulas com a nossa alegria. Ah… que saudade!
Agora apenas me resta puxar pelo sono que tarda com aquela âncora ferrugenta que nós enterramos numa praia do Rio de Janeiro, convencidas que um dia iríamos velejar numa jangada feita de ramos de palmeira nas águas tranquilas do oceano à procura dos nossos príncipes (de)encantados.
Faltou-nos o tempo, meu anjo. Foste embora cedo demais, minha irmã querida! Resta-me agora esta tonta necessidade de reviver o tempo ao contrário. Começo pelos segundos, minutos, apaticamente. Triste como a noite que findou no tecto do meu quarto aos ziguezagues e que não consegui dormir uma vez mais.
Os primeiros reflexos de sol, cristalino, açoitam-me de novo insuportavelmente, as pálpebras. Estamos no inverno e apesar de tudo o sol brilha hoje lá fora. Ou será o teu espírito a pedir-me que descanse? Queria tanto ver-te de novo.
Ouvir-te, abraçar-te! Tanto…! Vens? Se eu adormecer prometes que te deitas ao meu lado e que me cantas a canção de ninar que às vezes te cantava quando estavas mais inquieta? Oh… faz isso, querida. Hoje sou eu que preciso que veles o meu sono com os teus beijos celestiais.

(VÓNY FERREIRA)

“Eu nem pensava que ela já estava indo...
Eu nem sabia que ela ia tão cedo!

QUE VALE QUE EU A AMO PARA SEMPRE!”

Lila Marques

2 comentários:

Lírio Lilas disse...

Vóny, minha amiga,

Como amiga e grande Poeta que és, captaste tão refinadamente os sentimentos que me permeiam neste momento! Sou-te muito agradecida, minha querida. Disseste o que o meu grito abafado prendia na garganta...
Para isso vivem os Poetas!

Um beijo enorme cheio de ternura,
Lila.

Vóny Ferreira e outros poetas neste blog : http://vonyfereeira.blogspot.com/ disse...

Minha querida amiga.
A dor nestes momentos é certamente universal. Vi esse sofrimento nos teus olhos e isso transportou-me para a tua alma.
Beijo e que a tua irmã tenha o descanso eterno. Paz à sua alma.

Lírio Lilás: CARTA A UMA IRMÃ QUE PARTIU - 2011 Theme by Kali Vieira