Depois de ler este belíssimo texto, quis partilhá-lo com vocês, seguidores, deste meu cantinho... tenho absoluta certeza de que gostarão muito!
Com licença, Vóny Ferreira, mas não resisti!
"Vi-me na posição patética de ter desmontado os ponteiros do relógio como quem precisa de compreender o tempo e a malvadez que ele faz connosco....
Ainda ontem era menina, sentava-me no chão a olhar o ballet concertado das borboletas no meu quintal. Como é possível olhar-me no espelho e ver esta estranha que sou?
Eu não sou esta...( que morde as horas com os dedos) em bailados sincronizados no computador como se tivesse perdido a noção das coisas efectivamente importantes.
Para que raio escrevo eu? Porquê esta maldita e doentia necessidade?
... Agora que analiso os ponteiros desconjuntados nas minhas mãos, abisma-me a fragilidade desta engenhoca que dá horas e manda em nós. Que acaba por ter uma preponderância abissal nas nossas vidas. O tempo... o tempo... as horas!
Para que precisamos do relógio se cada vez mais o tempo escasseia e nos torna vitimas da monstruosidade que o envolve?
Não se fala com os filhos porque não há tempo...
Não fazemos amor porque é tarde e o tempo matou-nos a energia
Não conversamos com os amigos porque não há tempo... para o tempo que demora a contar
com disponibilidade como vai a vida...
Maldito tempo que fez de mim um templo que já não contemplo! As rugas assustam tanto a menina que há em mim... tanto, que decidi que a partir deste momento quem vai determinar as horas sou eu...
... Não me apetece viver este ano de 2011 cheio de problemas sociais e de violência gratuita.
Escolho o ano de 1978, o dia 11 de Janeiro e as 23 horas e 15 minutos. Tempo que deu significado ao meu tempo de vida. Nascias tu, meu filho. Amor da minha vida!
Vóny Ferreira



6 comentários:
Ah! Este amor de mãe que tão bem conhecemos amiga! Lindíssimo, o texto, a mãe e o filho! Beijos
Minha querida
Tu que me vais conhecendo tão bem,sabes o quão é importante para
(nós...) mães esta cumplicidade umbilical com os nossos filhos.
Sem saber como ao querer falar do tempo, das marcas indisfarçáveis que ele nos vai deixando no corpo e na alma, acabei por encontrar o lado positivo desse mesmo tempo sem eu
própria conscientemente me aperceber enquanto escrevia por impulso o texto.
Obrigada por expores aqui algo que só pode vir da alma. Espero que mais pessoas se revejam nas minhas palavras.
Beijo, querida.
Vóny Ferreira
Belissimo texto de Vóny,merece ser lido e relido ...
Vim visitar este espaço e gostei muito,
bom final de semana,
beijos
Maria Selma,
Seja muito bem vinda!
Obrigada por deixar o seu simpático comentário.
Volte sempre!
Beijos,
Lila.
Gi,
A sua presença é sempre querida por aqui...
Obrigada, viu?
Um beijo grande,
Lila.
Vóny,
Um texto lindíssimo como estes, só veio enfeitar e enriquecer este meu cantinho... obrigada por me permitir partilhá-lo.
Vida muito longa às tuas letras mágicas!
Um beijo grande,
Lila.
Postar um comentário