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POEMA DE MANOEL DE BARROS
Há um cio vegetal na voz do artista.
Ele vai ter que envergar seu idioma ao ponto
de alcançar o murmúrio das águas nas folhas
das árvores.
Não terá mais o condão de refletir sobre as
coisas.
Mas terá o condão de sê-las.
Não terá mais idéias: terá chuvas, tardes, ventos, passarinhos...
Nos restos de comida onde as moscas governam
ele achará solidão.
Será arrancado de dentro dele pelas palavras
a torquês.
Sairá entorpecido de haver-se.
Sairá entorpecido e escuro. [...]
(Barros, Manoel. Retrato do artista quando coisa. 4ª edição, Rio de Janeiro: Record, 2004, p.17)
5 comentários:
Lindo!!! Amei!!!!
Obrigada, Sandra, por passar e deixar a sua sempre bem vinda opinião! Feliz Natal e ótimo Ano Novo!
Beijoca,
Lila.
Um poema tocante, tão belo, tão... tão...
céus| Porque me faltam as palavras?
Belo Poeta e amiga, beijo
Vóny Ferreira
Vóny, minha amiga,
Obrigada por passar e deixar a sua opinião. É incentivador quando gostas, Poeta!
Um beijo grande,
Lila.
oi. estive aqui dando uma olhada. muito legal. apareça por la. abraços.
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